Ao Ritmo Das Pulsações
Todas as luas
Escrevo os teus olhos,
Recorto o teu coração,
Teço melodias com a tua voz de fada,
Que me queima em fantasias,
Retalhadas pelo despertar de mais um sonho.
Todos os ocasos renovo votos de paixão.
Porque o teu fantasma me atormenta todos os instantes,
Porque o ultimo nome dele é igual ao de todos os outros!
E a tua sombra sussurra-o:
(culpa)
Enquanto o teu sal escorre no meu rosto, cristaliza a esperança.
E eu aguardo ansioso pelo vazio pleno de raiva,
Que sarcasticamente me provoca:
Sou panaceia para todas as dores,
Sou vento,
Sou pó,
Sou límpido,
Sou deserto sob mantos de estrelas,
Sou guerrilheiro de alma em punho,
Sou o vácuo em que rabiscas o teu avesso.
Coberto por palavras doces,
Olhares de compreensão,
E uma voz que diz:
És o único que amei,
Quem sabe se um dia nossos lábios se voltam a cruzar!
Mentirosa, mentirosa, ah como mentes!
Faço da alma ninho de cucos para me esquecer,
Do último sopro que me depositaste,
Da sensação de espetares na minha barriga o gume afiado de um não,
Que contagiou todo o corpo de um frio congelante,
Que lutava contra o calor dos teus lábios.
Incapaz de recusar o beijo, ignoro a lâmina.
É então que num cochilo entre as memórias que bloqueiam a chegada do vazio,
Me invade a gélida incerteza,
Prenha de um manto negro que me adormece com brisas secas e frias.
Quando acordar e te gritar:
Odeio-te, odeio-te, ah como te odeio
(Ignora – o meu coração mente-me todos os dias)
Quem mais pode acolher e embalar nas mãos os meus laivos de dor?
Até adormecer e se esquecer que existiu!
Porque tu conheces as minhas cicatrizes por dentro,
Porque quando olhas o mundo,
Vê-lo pelas minhas retinas,
Sente-lo pela minha alma,
Arranha-lo com os meus dentes,
E lambe-lo com os meus dedos.
Quando te magoares,
Absorvo os teus gemidos em meu peito,
Enchugo os teus cristais nas minhas palmas,
Seguro o teu sangue com a minha ternura,
Protejo-te em meu corpo – tua concha.
Na nossa batalha, em que sou Maestro,
E faço de cada vítima uma nota,
Com que construo a melodia,
Que te embala no tempo.
Não é antídoto para a tua mordida,
É veneno que mata os meus gemidos.
Aguardo que costures, com os teus dedos e cabelos,
A manta que te aquece,
Sempre que flocos brancos aconchegam o teu interior.
Sempre que entre soluços, o meu bafo embacia o teu intimo.
Sempre que nas minhas veias pulsam as tuas lágrimas.
Escrevo os teus olhos,
Recorto o teu coração,
Teço melodias com a tua voz de fada,
Que me queima em fantasias,
Retalhadas pelo despertar de mais um sonho.
Todos os ocasos renovo votos de paixão.
Porque o teu fantasma me atormenta todos os instantes,
Porque o ultimo nome dele é igual ao de todos os outros!
E a tua sombra sussurra-o:
(culpa)
Enquanto o teu sal escorre no meu rosto, cristaliza a esperança.
E eu aguardo ansioso pelo vazio pleno de raiva,
Que sarcasticamente me provoca:
Sou panaceia para todas as dores,
Sou vento,
Sou pó,
Sou límpido,
Sou deserto sob mantos de estrelas,
Sou guerrilheiro de alma em punho,
Sou o vácuo em que rabiscas o teu avesso.
Coberto por palavras doces,
Olhares de compreensão,
E uma voz que diz:
És o único que amei,
Quem sabe se um dia nossos lábios se voltam a cruzar!
Mentirosa, mentirosa, ah como mentes!
Faço da alma ninho de cucos para me esquecer,
Do último sopro que me depositaste,
Da sensação de espetares na minha barriga o gume afiado de um não,
Que contagiou todo o corpo de um frio congelante,
Que lutava contra o calor dos teus lábios.
Incapaz de recusar o beijo, ignoro a lâmina.
É então que num cochilo entre as memórias que bloqueiam a chegada do vazio,
Me invade a gélida incerteza,
Prenha de um manto negro que me adormece com brisas secas e frias.
Quando acordar e te gritar:
Odeio-te, odeio-te, ah como te odeio
(Ignora – o meu coração mente-me todos os dias)
Quem mais pode acolher e embalar nas mãos os meus laivos de dor?
Até adormecer e se esquecer que existiu!
Porque tu conheces as minhas cicatrizes por dentro,
Porque quando olhas o mundo,
Vê-lo pelas minhas retinas,
Sente-lo pela minha alma,
Arranha-lo com os meus dentes,
E lambe-lo com os meus dedos.
Quando te magoares,
Absorvo os teus gemidos em meu peito,
Enchugo os teus cristais nas minhas palmas,
Seguro o teu sangue com a minha ternura,
Protejo-te em meu corpo – tua concha.
Na nossa batalha, em que sou Maestro,
E faço de cada vítima uma nota,
Com que construo a melodia,
Que te embala no tempo.
Não é antídoto para a tua mordida,
É veneno que mata os meus gemidos.
Aguardo que costures, com os teus dedos e cabelos,
A manta que te aquece,
Sempre que flocos brancos aconchegam o teu interior.
Sempre que entre soluços, o meu bafo embacia o teu intimo.
Sempre que nas minhas veias pulsam as tuas lágrimas.
Copyright © 2007 – Artur Queirós
(Foto de Maria Flores)


